Dogmas
Na teologia católica contemporânea, um dogma é uma verdade revelada sem possibilidade de engano, uma certeza absoluta e de modo inevitável determinado pelo Magistério da Igreja como sendo verdades divinamente reveladas. Ou seja, Deus revelou à humanidade verdades e conhecimentos que estavam ocultos — como sua natureza, vontade e o plano de salvação através de Jesus Cristo — contidos no Depósito da Fé - Escrituras e Tradição . Trata-se de um legado de Deus ao homem, com conhecimento claro e acessível; uma autodoação para que o homem possa conhecê-lo e participar de sua vida, sendo Jesus Cristo o centro desta revelação.
Obra do pintor Italiano, Sebastiano Conca - cerca 1700
No transcorrer da historia o termo "Dogma" foi usado nas Sagradas Escrituras no sentido de decreto por autoridade civil, como é visto em Lucas 2:1, Atos 17:7 e Ester 3:3. E em outro instante usado no sentido de ordenança da Lei Mosaica visto na passagem em Efésios 2:15 e Atos 16:4.
Os Pais da Igreja usaram os ensinamentos e preceitos morais promulgados por Nosso Senhor Jesus e Apóstolos como Verdades Reveladas - Dogmas. Fazendo em algumas vezes distinção entre os ensinamentos apostólicos e os da Igreja transmitidos aos fieis, das verdades reveladas pelos ensinamentos de Nosso Senhor Jesus. Então, o termo geral passou a ser conhecido como "ensinamento" - ensinamento oficial da Igreja. Todavia, a oposição aos dogmas da Igreja surgira e esta oposição chamada de heresia. Termo grego "hairesis" que significava “opinião ou escolha”, mas na verdade um termo que passou a se referir a uma opinião ou escolha contrária ao ensinamento oficial da Igreja.
Atualmente, o dogma é entendido como uma verdade referente à fé ou a moral, revelada por Deus, comunicada por Nosso Senhor Jesus e Apóstolos nas Escrituras ou pela Tradição, e proposta pela Igreja para ser aceita pelos fiéis como uma verdade divinamente revelada. Em contrapartida a heresia vem a ser a negação ou a dúvida persistente, principalmente após a recepção do batismo, de alguma verdade que deve ser acreditada com fé divina e católica. O dogma é uma verdade de fé revelada por Deus. Por isso é imutável e definitivo, não podendo ser revogado ou mudado, pois Deus é Perfeito e Eterno, não sujeito a mudança. O mesmo de ontem, hoje e para sempre. Então, essa verdade é proposta e definida pela Igreja solenemente como parte integrante da fé católica.
A Igreja possui a competência e a autoridade para definir de forma definitiva verdades que, embora não formalmente reveladas, são necessárias para guardar santamente e expor fielmente o Depósito da Fé. Tais definições visam sanar dúvidas persistentes sobre a Revelação confiada por Jesus Cristo à Igreja. Consequentemente, para esses ensinamentos, a Igreja não exige o consentimento ou aprovação de fé divina e católica, mas requer que sejam firmemente aceitos e retidos como definitivos.
Os dogmas da Igreja Católica são as Luzes no caminho da fé, onde o fiel ao recitar o Credo uma declaração formal da fé cristã, reuni essas luzes para guiar a vida espiritual e a unidade da Igreja, dizendo "eu creio", simbolizando a adesão pessoal e comunitária a fé. A oração do Credo é dividida em três partes que correspondem aos dogmas fundamentais do Cristão Católico: Pai – a criação, Filho – a redenção e Espirito Santo – a santificação.
As doutrinas são os ensinamentos fundamentais da Igreja Católica, declarados como verdades de fé e estão basicamente divididos em três categorias:
- Primeira Categoria - Dogmas : Verdades divinamente reveladas.
- Segunda Categoria - Doutrinas Definitivas : Verdades necessárias para guardar o depósito da fé, mas não explicitamente reveladas.
- Terceira Categoria - Magistério Ordinário : Ensinamentos propostos pelo Papa ou Bispos para guiar o fiel, mas não de forma definitiva.
Obra do pintor Italiano, Raffaello Sanzio- 1509
Assim, nesta primeira categoria encontram-se os dogmas da Teologia Católica contemporânea, definidos pelo Magistério da Igreja como divinamente revelados. A heresia, rigorosamente falando, é a negação persistente ou a dúvida voluntária de uma verdade que se deve crer com fé divina e católica. Portanto, a heresia não decorre da rejeição dos ensinamentos de ordem meramente prudencial ou definitiva ( segunda ou terceira categorias ) , mas sim da rejeição das verdades da primeira categoria, que são divinamente reveladas. Cabe notar, contudo, que a negação das demais categorias, embora não constitua heresia, ainda assim representa uma grave falta de comunhão e um pecado contra a unidade da fé.