As Imagens e Relíquias
Obra do pintor italiano Fran Angelico, 1424
Idolatria é pela origem da palavra o culto Divino prestado a uma imagem, mas sua significação é estendida a todos cultos Divinos prestados a qualquer criatura ou qualquer coisa, que não seja o verdadeiro Deus. É por definição transpassar a soberania de Deus sobre toda sua criação, atentando a sua suprema autoridade e poder, colocando no trono que a Ele pertence uma criatura ou objeto qualquer. Portanto, definimos que a idolatria é o culto prestado a uma imagem de falsa divindade. Ou seja, adoração aos ídolos.
O Catecismo da Igreja Católica - paragrafo 2112 - 2113 ensina que devemos rejeitar todos os ídolos, pois são eles uma constante tentação para a fé do homem a partir do momento em que a honra e reverencia assumem o lugar de Deus, como: do dinheiro, do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado e etc. Devido a estas tentações a harmonia completa ao único Deus, passa a ser conflitante pela forte valor do ídolo e Deus exige do homem que não acredite e venere a outros deuses além Dele. Portanto, o politeísmo é condenado pelo primeiro mandamento. Politeísmo é o sistema de religião que admite muitas divindades, mais de um Deus.
Salmos, 134 15. Os ídolos dos pagãos não passam de prata e ouro, são obras de mãos humanas. 16. Têm boca e não podem falar; têm olhos e não podem ver; 17. têm ouvidos e não podem ouvir. Não há respiração em sua boca. 18. Assemelhem-se a eles todos os que os fizeram, e todos os que neles confiam. São Mateus, 6 24. Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.
Deus no primeiro mandamento proibiu ao homem de fazer imagens que simbolicamente represente a Ele para adoração. Pois nada que existe na forma de matéria do conhecimento humano na terra - nos céus ( aves, estrelas ou astros ). Ou sobre a terra ou nas aguas – ( animais, um homem, peixe, planta etc. ) que venha a ser Deus. Desta forma, o homem iria adorar não a imagem que representa a Deus, mas sim a imagem de outra divindade – a falsa divindade: o ídolo.
A percepção do conhecimento humano esta ligada a ciência da matéria e os sentidos que a identificam e as suas características. Por isso, a natureza humana procura preservar essas impressões exteriores em formas de imagem, que fazem com que o homem relembre estas impressões através das memorias. Portanto ao homem foi proibido por Deus fazer imagem que represente a Deus.
Por este motivo o homem no transcorrer do tempo acumulou imagens, daqueles ou daquilo que ama ou gosta, como assim hoje o fazemos através das fotos: nossos pais, filhos, amigos, animais de estimação, etc. De acordo ao ensinamento do Catecismo da Igreja Católica – 2141 “ O culto das imagens sagradas funda-se no mistério da encarnação do Verbo de Deus. E não é contrário ao primeiro mandamento ”.
As imagens consideradas sagradas pela Igreja Católica nos faz recordar da natureza santa e da divindade oriunda de Deus, bem como das coisas do céu. E não que sejam elas deuses. Pois se assim o fossem ao olharmos para a foto de nossa mãe ou pai, darmos um beijo e dizer que a amos. Iriamos estar considerando a eles como deuses, o que não é verdadeiro. Apenas uma declaração de amor ao ver e relembrar a imagem daquele que se ama muito.
Deste modo, a Igreja Apostólica Católica entende e esta em conforme com o primeiro mandamento de Deus no Antigo Testamento. Mas não apenas pela interpretação isolada de uma passagem bíblica, mas pela harmonia que é estabelecida entre as demais partes dos textos que refere as imagens contidas em diferentes partes da Sagrada Escritura, para que não haja assim contradição, porque Deus não é contraditório.
Êxodo, 20
3. Não terás outros deuses diante de minha face. 4. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra.
Todavia, a heresia protestante acusa a Igreja Católica de não obedecer ao primeiro mandamento de Deus, permitindo que façam esculturas e imagens de Cristo e dos Santos, para serem veneradas. A Heresia protestante fundamenta seus argumentos sobre apenas o texto isolado do primeiro mandamento e não levam em conta as demais passagens que envolvem a mesmo tópico, onde Deus ordena e é agradado pelo fazer de imagens. O que parece contraditório as ordens de Deus, mas que na verdade vem apenas trazer mais entendimento e esclarecimento ao primeiro mandamento Divino. Veja nas citações abaixo onde Deus ordena que sejam feitas esculturas e imagens.
Obra do pintor frances Sebastian Bourdon 1653-54
- Números 21, 7-9 , Deus puniu ao homem, castigando-o com o envio de serpentes, que mordiam e matavam. Então, Moises é rogado pelo seu povo para que interceda a Deus. E Deus diz a Moises; “ Faze uma serpente de bronze, e põe-na por sinal; aquele que, sendo ferido, olhar para ela, será salvo. ”
- Êxodo 25, 10-22, Deus ordena a Moises fazer uma Arca de madeira para guardar as tabuas da Lei. “ Farás dois querubins de ouro batido um em cada extremidade, um de um lado e outro de outro, fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa ” ( Exo 25, 18-19 ).
- Nas passagens da construção do Templo de Deus por Salomão, onde varias imagens são feitas, colocadas no templo e que são recebidas com agrado por Deus. Salomão mandou esculpir e colocar 2 querubins no Santuário e nas paredes foi esculpido querubins, palmas e flores (I Reis 6,23-29 ). Foram esculpidos 12 bois que sustentam uma bacia de bronze ( I Reis 7,25 ). Bois, leões e querubins ( I Reis 7,28-29 ).
Desta maneira como explicar a proibição de Deus no primeiro mandamento sendo que Ele próprio comanda ao homem fazer imagens? Parece uma incoerência, mas que na verdade não existe. O que existe é o efeito relativo e o absoluto. O efeito relativo é a consideração do significado da palavra tomada no sentido avaliado pela comparação condicional, Enquanto o efeito absoluto é a consideração da palavra na extensão do seu significado. O exemplo abaixo irá melhor esclarecer o sentido absoluto e relativo:
Dois estudantes vão a uma biblioteca pesquisar e estudar para um exame na escola. Começam a conversar e discutir sobre o exame. São abordados pelo bibliotecário que os repreendem vigorosamente para que fiquem em silêncio e lhes diz: leiam a regra geral afixada na entrada sobre sala de estudos – “Mantenha o silêncio no recinto de Estudo”. Terminado os estudos, foram da biblioteca para a escola e chegando lá entraram para suas respectivas salas para fazerem os seus exames, que iriam ser oral. O estudante (A) respondeu todas as perguntas e foi aprovado. O estudante (B) não respondeu a nenhuma pergunta ficando em silêncio o tempo todo e foi reprovado. Ele regressou aborrecido para sua casa, seus pais queriam saber o porquê de sua reprovação, ele respondeu: Na biblioteca esta afixada a regra que diz manter o silêncio no recinto de estudo.Portando, vemos o estudante ( A ) compreendendo a proibição relativa afixada naquele ambiente como uma comparação condicional daquele local. E enquanto o estudante ( B ) compreende a proibição no sentido do seu significado absoluto, todo o recinto de estudo ( biblioteca, escolas, faculdades, salas de aula, etc. ).
Consequentemente, vemos a heresia protestante cometer o erro na interpretação do primeiro mandamento, por basear exclusivamente em um trecho da Sagrada Escritura, que os leva a uma proibição absoluta. Enquanto que na verdade se trata de uma proibição relativa somente à adoração de imagem que represente a Deus, pois não seria a Ele que estaria adorando e prestando culto.
Desta forma as imagens de Jesus Cristo e Santos são imagens que representam os seus verdadeiros personagens, nos recordando de seus feitos e momentos na vida, bem como a realeza do amor e santidade que os perpetuam vivos na lembrança da memoria humana. Portanto, Deus permite fazer uma imagem do que é considerado sagrado para ser venerado.
Mas mesmo assim a herege protestante continua a afirmar que os Católicos praticam a idolatria por prostrarem diante de imagens e ainda por possuir relíquias daqueles que são considerados Santos.
Os Santos são nossos intercessores junto a Deus e este é outro tópico que não é aceito pela heresia protestante. Esta questão é exibida diretamente em varias passagens na Escritura Sagrada, onde monstra esta vontade de Divina. Pois Deus deseja que amemos uns aos outros e nada melhor do que agradar a Ele através da capacidade em reconhecermos nossos erros e iniquidades, pois somos pecadores, conhecemos o nosso estado moral deteriorado e devido a isso estamos afastados de Sua presença. Então, o ato da necessidade do favor divino, misericórdia e benevolência, quebram nossa arrogância e orgulho rogando e suplicando aos santos ( amigo ) que interceda por nos junto a Deus, pois não temos o mérito suficiente para direcionarmos a Ele, por isso convém que outros supliquem por nós. Assim, suplicar a Deus por outros demonstra um ato de amor ( caridade ) e a suplica aos intercessores um ato de humildade.
Números, 21
7. O povo veio a Moisés e disse-lhe: “Pecamos, murmurando contra o Senhor e contra ti. Roga ao Senhor que afaste de nós essas serpentes.” Moisés intercedeu pelo povo, 8. e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.
Êxodo, 8 8. O faraó mandou chamar Moisés e Aarão: “Intercedei, disse-lhes ele, junto do Senhor, a fim de que afaste as rãs de mim e de meu povo, e deixarei partir o vosso povo para que ofereça sacrifícios ao Senhor”.
Ester, 15
1. Mardoqueu mandou pedir a Ester que fosse ter com o rei para lhe pedir graça e suplicar em favor de sua pátria.No livro de Jó temos uma passagem onde Deus é irritado pelos amigos de Jó. Deus diz a eles para ir até Jó para que ele interceda por eles junto a Ele, assim ( Deus ) em consideração a sua intercessão não irá impor pena a eles. Neste trecho Deus nos mostra claro que Ele deseja que intercedamos, uns pelos outros, pois Deus conhece o coração do homem. Portanto, Deus sabia que os amigos de Jó já haviam se arrependido, mas queria que eles compreendessem que é pela humildade que se encontra Ele ( Deus ), não pela insolência e orgulho.
Lamentação de Jó
Obra do pintor inglês Willian Blake 1786Click para Fechar
Provérbios, 29
23. O orgulho de um homem leva-o à humilhação, mas o humilde de espírito obtém a glória.
Jó, 42
7. Depois que o Senhor acabou de dirigir essas palavras a Jó, disse a Elifaz de Temã: Estou irritado contra ti e contra teus amigos, porque não falastes corretamente de mim, como Jó, meu servo. 8. Procurai, pois, sete touros e sete carneiros, e vinde ter com meu servo Jó. Oferecei por vós este holocausto, e meu servo Jó intercederá por vós. É em consideração a ele que não vos infligirei ignomínias por não terdes falado bem de mim, como Jó, meu servo.Finalmente, prostrar em frente a uma imagem sagrada significa um ato de respeito e humildade ao que é sagrado, demonstrando nosso valor inferior e não a idolatria. Bem como beijar uma imagem não é idolatria. Ao contrario, é somente uma demonstração do ato de venerar. Ou seja, demonstrar o sentimento de amor ou respeito a aquele que é reconhecido pela memoria humana. Veja as citações abaixo, onde os personagens bíblicos se prostram perante governadores e reis, não por idolatria, mais sim por respeito e veneração ( acatamento ).
Êxodo, 18
6. E mandou-lhe dizer: “Teu sogro Jetro vem te ver, acompanhado de tua mulher e de teus dois filhos”. 7. Moisés saiu ao encontro de seu sogro, prostrou-se e beijou-o. Informaram-se mutuamente sobre a sua saúde e entraram na tenda.
Gênesis, 42
6. José era o governador de toda a região, e era ele quem vendia o trigo a todo o mundo. Desde sua chegada, os irmãos de José prostraram-se diante dele com o rosto por terra.
II Crônicas, 24
17. Depois da morte de Jojada, os chefes de Judá vieram e se prostraram diante do rei, e o rei os ouviu.
Concilio de trento
Obra do pintor italiano Pasquale Cati, 1588Click para Fechar![]()
O Concilio Ecumênico de Trento ( 1545 – 1563 ) Contra as inovações doutrinarias dos protestantes, Sessão XXV, Parágrafos 984 – 988, 3 e 4 de Dezembro de l.563, manda que os Bispos da Santa Igreja Católica fiquem encarregados de instruir os fieis sobre:
• A intercessão e invocação dos Santos. Que é útil e bom solicitar o auxilio e socorro e recorrer as suas orações.
• A veneração das Imagens, Santos e suas Relíquias, pois elas se referem aos protótipos que elas representam, de maneira que devido às circunstâncias ou acontecimentos, beijamos e ajoelhamos. Portanto adore a Cristo e venere os Santos, representados nas Imagens.
• O legitimo uso das Imagens conforme o costume da Igreja. Mantê-las especialmente nos templos e se deve tributa-las a devida honra e veneração, pelo que representam. Reforçam a fé e divulga as graças e milagres que Deus concede aos homens por intermédio de seus Santos, bem como o exemplo salutar oriundo dos mesmos.
• Render por meio Deles graças a Deus. Que os fieis regulem suas vidas a imitação e seus costumes para intensificar a adoração e o amar a Deus, bem como dar progresso a devoção.
• Que os Santos partilham o Reino com Cristo e oferecem a Deus suas orações pelos homens, para obtermos os benefícios que a Deus devem ser pedidos por intermédio de Seu Filho Jesus Cristo, único Redentor e Salvador nosso. Pois os Santos foram membros vivos de Cristo e templos do Espirito Santo ( l Cor 3, 16; 6, 19; 2 Cor 6, 16 ).I Coríntios, 3
16. Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós ?As relíquias da Igreja Católica referem aos restos mortais ou parte do corpo de algum Santo ou objeto que lhe pertenceu ou serviu para o seu martírio. Deus por sua benevolência extraordinária concede ao homem graças e milagres por intermédio de suas relíquias e objetos sagrados. Quando lemos na Escritura Sagrada sobre o Profeta Eliseu ressuscitando um menino e também sobre a ressuscitação imediata de um morto que foi lançado sobre dos ossos do Profeta Eliseu quando ele já havia morrido, adquirimos a compreensão de que Deus concede graças através das relíquias daqueles que são Santos e que desfrutam da amizade Divina,
II Reis, 8
5. Giezi estava justamente contando como Eliseu havia ressuscitado um morto, quando a mulher, cujo filho ressuscitara, chegou para implorar ao rei a respeito de sua casa e de sua terra. Giezi exclamou: Ó rei, meu senhor! Eis a mulher com o filho que Eliseu ressuscitou.
II Reis, 13
20. Eliseu morreu e foi sepultado. Guerrilheiros moabitas faziam cada ano incursões na terra. 21. Ora, aconteceu que um grupo de pessoas, estando a enterrar um homem, viu uma turma desses guerrilheiros e jogou o cadáver no túmulo de Eliseu. O morto, ao tocar os ossos de Eliseu, voltou à vida, e pôs-se de pé.
Eclesiástico, 48
13. Elias foi então arrebatado em um turbilhão, mas seu espírito permaneceu em Eliseu. Nunca em sua vida teve Eliseu medo de um príncipe; ninguém o dominou pelo poder. 14. Nada houve que o pudesse vencer: seu corpo, mesmo depois da morte, fez profecias. 15. Durante a vida fez prodígios, depois da morte fez milagres.Outras importantes passagens na Escritura Sagrada que vem a confirmar essa extraordinária benevolência da graça Divina estão contidas no Evangelho onde milagres foram realizados por apenas tocar nas roupas de Jesus, bem como através dos objetos tocados pelo Apostolo São Paulo que a muitos operou milagres.
São Marcos, 5
27. Tendo ela ouvido falar de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe no manto. 28. Dizia ela consigo: Se tocar, ainda que seja na orla do seu manto, estarei curada. 29. Ora, no mesmo instante se lhe estancou a fonte de sangue, e ela teve a sensação de estar curada.
Atos dos Apóstolos, 19
11. Deus fazia milagres extraordinários por intermédio de Paulo, de modo que lenços e outros panos que tinham tocado o seu corpo eram levados aos enfermos; 12. e afastavam-se deles as doenças e retiravam-se os espíritos malignos.