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Imaculada Conceição


Os ensinamentos da Igreja Católica nos afirma que Jesus nasceu sem pecado ou seja Imaculado. Deste modo, a Bem-aventurada Maria seria consequentemente um recipiente sem pecado ( Imaculado ) . Seria como entendermos o oposto da Virgem Maria, se dizermos que Ela tinha uma natureza pecadora, então Jesus teria herdado esta natureza pecadora por seu intermédio.

Igreja Santa Ana
A Imaculada Conceição
Pintado por José Claudio Antolinez em 1666 em Madri - Espanha.
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Igreja de Santa Anna

Assim, a doutrina da Conceição Imaculada é defendida e sustentada pelos Padres Doutores da Igreja como sendo um fato definido. Esta afirmação pode ser amparada pela passagem bíblica onde o Anjo Gabriel saúda a Bem-aventurada Maria com a frase “ Ave, cheia de graça.....” que vem da tradução da palavra grega “ Kecharitomene ” na qual expressa o caráter da virtude da Virgem Maria. Ou seja, esta palavra vem da forma verbal grega “ charitoo ” que significa “ encher ou dotar de graça ” e foi empregada pelo Anjo Gabriel no tempo perfeito do verbo, indicando que a Bem-aventurada Maria naquele presente da saudação já havia sido agraciada no passado. Outro fato, é que o Anjo Gabriel quando introduz sua saudação não fala o nome pessoal da Virgem Maria, mas dirige-se a Ela por um titulo – Cheia de Graça. O Papa João Paulo II em seu livro “ Teotokus ” disse que Cheia de Graça é o nome que a Bem-aventurada Maria tem aos olhos de Deus. Portanto, não foi a visita do Anjo Gabriel, mas Deus em seu plano de salvação, desde toda a eternidade a escolheu e a cobriu de graças na antecipação dos meritos de Jesus Cristo. Sendo preservada do pecado original desde o instante de sua concepção ( conceição ) . Muitos cristãos católicos erram ao confirmar este dogma como sendo a concepção de Jesus Cristo. Mas, não o é. Este dogma se refere a Imaculada Conceição da Virgem Maria.

O nascimento da Virgem Maria também é narrado na terceira seção do Alcorão Mulçumano, chamado Surata, referenciando o seu pai São Joaquim, ao qual o capitulo é nomeado a ele. Fala também de sua mãe, Santa Ana, quando ela orou a Deus desejando ter uma criança e sua promessa de dedica-lo ao serviços de Deus se sua oração fosse aceita. Orou também para que sua criança permanecesse protegido contra Satanás. E assim, os registros da tradição mulçumana ( Hadith ) afirma que apenas duas crianças nasceram sem o “ toque do pecado ” , foram a Virgem Maria e o Nosso Senhor Jesus.

São Anselmo, em um de seus sermões ( Oratio 52, PL 158, 955-956 ) expressa a importância da Virgem Maria no plano Divino da Salvação, bem como mostra em sua percepção penetrante das coisas Divinas, a alta designação honorifica, individual e significativa da Bem-aventurada Maria. Onde Deus é o Pai do mundo criado e a Bem-aventurada Maria, a mãe do mundo recriado. Onde Deus, através Dele todas as coisas foram dadas nova vida, e a Bem-aventurada Maria mãe, por seu intermédio todas as coisas receberam nova vida e deu ao mundo a luz do salvador.

Assim, São Anselmo fez sua bela exortação:

“ Ó Virgem, pela tua bênção é abençoada toda a criatura. O céu, as estrelas, a terra, os rios, o dia e a noite, e tudo quanto está sujeito ao poder ou ao serviço dos homens se alegram, Senhora, porque, tendo perdido a sua antiga nobreza, foram em certo modo ressuscitados por meio de Ti e dotados de uma graça nova e inefável.

Todas as coisas se encontravam como mortas, por terem perdido a sua dignidade original de servir o domínio e o uso daqueles que louvam a Deus, para que tinham sido criadas; encontravam-se esmagadas pela opressão e desfiguradas pelo abuso que delas faziam os servos dos ídolos, para os quais não tinham sido criadas. Agora, porém, como que ressuscitadas, felicitam a Maria, ao verem-se governadas pelo domínio e honradas pelo uso daqueles que louvam o Senhor.

Perante esta nova e inestimável graça, todas as coisas exultam de alegria, ao sentir que Deus, seu Criador, não só as governa invisivelmente, lá do alto, mas também está visivelmente presente no meio delas e as santifica com o uso que delas faz. Tão grandes bens procedem do fruto bendito do ventre sagrado da Virgem Maria.

Pela plenitude da tua graça, o que estava cativo na região dos mortos exulta de alegria ao ver-se libertado, e o que estava ainda no mundo regozija-se ao sentir-se renovado. Pelo poder do Filho glorioso da tua gloriosa virgindade, os justos, que morreram antes da sua morte vivificadora, alegram-se ao ver destruído o seu cativeiro, e os Anjos regozijam-se ao ver restaurada a sua cidade quase em ruínas.

Ó Mulher cheia de graça, superabundante de graça, a tua plenitude transborda para a criação inteira e a faz reverdecer. Virgem bendita, entre todas as coisas bendita, pela tua bênção é abençoada toda a natureza, não só a criatura pelo Criador, mas também o Criador pela criatura. Deus entregou a Maria o seu próprio Filho, o seu Filho Unigénito, igual a Si, a quem amava de todo o coração como a Si mesmo. No seio de Maria, Deus formou o Filho, não distinto, mas o mesmo, para que realmente fosse um e o mesmo o Filho de Deus e de Maria. Tudo o que nasce é criatura de Deus, e Deus nasce de Maria. Deus criou todas as coisas, e Maria gerou a Deus. Deus, que criou todas as coisas, fez-Se a Si mesmo por meio de Maria. E deste modo refez tudo o que tinha feito. Ele, que pôde fazer todas as coisas do nada, não quis refazer sem Maria o que tinha sido arruinado. Por esta razão, Deus é o Pai das coisas criadas, e Maria a mãe das coisas recriadas.

Deus é o Pai a quem se deve a constituição do mundo, e Maria a mãe a quem se deve a sua restauração. Pois Deus gerou Aquele por quem tudo foi feito, e Maria deu à luz Aquele por quem tudo foi salvo. Deus gerou Aquele fora do qual nada existe, e Maria deu à luz Aquele sem o qual nada subsiste. Verdadeiramente o Senhor está contigo, pois quis que toda a criatura reconhecesse que deve a Ti, com Ele, tão grande benefício.”