Vida Publica
Prisão e Julgamento
Jesus sendo Aprisionado
Obra do Pintor Italiano Duccio di Buoninsegna, 1308
Obra do Pintor Italiano Duccio di Buoninsegna, 1308
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Prisão
- Nosso Senhor Jesus era sem duvida o judeu mais reconhecido publicamente na cidade de Jerusalém e sem duvida que os soldados romanos enviados pelo Sumo Sacerdote o conheciam, pois Nosso Senhor Jesus estava já em Jerusalém por três dias, ensinando e curando no pátio do Templo, ao ponto de chegar a desviar a atenção das festividades cerimoniais da Pascoa. Devido ao reconhecimento publico da pessoa de Nosso Senhor, os soldados romanos se recusaram a prendê-lo e nenhum deles queria leva-Lo preso e nem toca-Lo. Então, os soldados decidiram voltar ao Chefe dos Sacerdotes e Fariseus, que os interrogaram por que não o haviam detido e responderam: “ nenhum homem nunca falou como este homem! ”. Estes soldados romanos estavam situados em Jerusalém no Forte Antônia e sob o comando do Procurador Pôncio Pilatos e estes soldados não realizou a prisão de Nosso Senhor.
- Historiadores narraram que durante numa noite de sexta-feira, logo a após a ceia pascal, durante uma noite de lua cheia que antecedia o Sábado, Nosso Senhor Jesus e seus discípulos foram para o sopé do Monte das Oliveiras, no local conhecido como Jardim de Getsêmani. Horas depois uma comitiva escoltada por soldados contratados da pelo Sumo Sacerdote Jose Caifas, sua guarda privada, caminharam em direção ao jardim de Getsêmani com tochas para efetuar a prisão de Nosso Senhor Jesus.
- De acordo com a Justiça Judia nesta época, nenhuma prisão poderia ser feita a menos que um cidadão judeu estivesse presente para identificar o acusado, para que ele fosse levado para uma investigação. Esta foi à oportunidade e o modo como Judas Iscariotes traiu Nosso Senhor por trinta moedas de prata: identificando-O com um beijo no rosto.
Legalidade Judia e Romana
- De acordo com estudiosos, a prisão de Nosso Senhor Jesus foi ilegal, tanto pela Lei Judaica como pela Lei Romana, além de demonstrar o grande ódio das Autoridades Religiosas por Nosso Senhor Jesus. Todo o processo do julgamento religioso ficou dividido em três sessões:
Jesus Interrogado por Anas
Obra do Pintor Jose de Madrazo, 1803Click para Fechar
1 - Diante o Ex-Sumo Sacerdote Anas;
2 - Depois com o Sumo Sacerdote Jose Caifas;
3 - E por ultimo perante o Sinédrio- Do ponto de vista da Lei Judaica as autoridades religiosas negligenciaram muito descuidando das próprias Leis.
- Julgamento imparcial - O próprio Sinédrio já havia planejado matar Nosso Senhor Jesus, após Ele ressuscitar Lazaro, antes deste julgamento. Consequentemente, dificilmente estavam em condições de dar um veredicto justo sobre sua culpa ou inocência. Isto é especialmente verdadeiro em relação ao Sumo Sacerdote Caifás, pois foi ele quem disse que era necessário que Nosso Senhor Jesus morresse por toda a nação. O Sumo Sacerdote Caifas era o juiz supremo em Israel e uma de suas principais responsabilidade, era fazer que uma pessoa recebesse um julgamento justo. Neste caso especifico, ele não deveria ter participado do julgamento de Nosso Senhor, de nenhuma maneira. No entanto, ele figura como a força principal por trás da prisão e julgamento de Nosso Senhor Jesus. Portanto, não existia a possibilidade de que Ele recebesse um julgamento justo.
- Pela Lei Judaica não poderia ocorrer julgamento durante o dia anterior ao Sábado, Dia ou Feriado Santo. Nesta ocasião, estava sendo comemorando a Pascoa e, por conseguinte o calendário da prisão e julgamento foi ilegal também;
- Os membros da corte ( Sinédrio ) deveriam votar individualmente para condenar ou absolver o acusado, em especial o crime capital. No entanto, Nosso Senhor Jesus foi condenado por aclamação;
A Corte não poderia procurar por testemunhas depois da deliberação ter começado. As testemunhas ( acusação e defesa ) primeiramente são ouvidas e depois o julgamento ( as decisões ) é iniciado. - Testemunho falso. As testemunhas faltaram com a verdade e deveriam ser punidas pelo Sinédrio, o que não ocorreu.
- Nos casos capitais, depois de ouvidas as testemunhas o julgamento ( as decisões ) deveriam ocorrer somente no dia seguinte e o fato de serem pronunciadas de imediato, mostra a natureza ilegal do julgamento.
- A Lei estabelecia que se o acusado for sentenciado à morte, uma noite obrigatoriamente deve passar após a sentença anunciada. Entretanto, passou apenas poucas horas e Ele foi levado à morte pela Cruz;
- O testemunho de Nosso Senhor Jesus foi desconsiderado. Quando Nosso Senhor foi colocado sob juramento, ele reconheceu que ele era o Cristo - o prometido Messias. Esta admissão de Nosso Senhor Jesus foi o que causou o Sinédrio a proclamar que ele era culpado de blasfêmia. No entanto, o Sinédrio nunca parou para considerar a possibilidade de que Nosso Senhor estava dizendo a verdade. Não houve o menor interesse em tentar descobrir, se realmente poderia de fato ser Ele, o Messias prometido. Não havia provas de que fosse permitido ser dado em nome Nosso Senhor Jesus e eles não avaliaram nenhuma evidência antes de fazerem seu julgamento.
- O acusado jamais poderia ser questionado com perguntas de autoincriminação, porem Nosso Senhor Jesus foi perguntado -“ se Ele era o Cristo ”.
- Nem o Sinédrio ou Sumo Sacerdote tinham o poder de prender qualquer cidadão Judeu, pois a Lei Romana não permitia. O Sistema Legal Romano era multicultural, permitia que as leis judaicas fossem aplicadas e tradições seguidas, deste que as mesmas não sobrepusessem o Sistema Legal Romano. Assim, o poder legal de prender somente ocorreria se outorgado pela Ordem do Conselho Provincial Romano na Judeia, que era autoridade do Procurador Romano, Pôncio Pilatos. Bem como, a Lei Romana não permitia a prisão, julgamento ou audiência ser conduzido após o por do sol, sob nenhuma circunstância, mesmo em emergência. Nestas circunstancias o domínio exclusivo do Tribunal Provincial Romano prevalecia, sendo assim:
- Os Judeus não tinham autoridade legal para prender e executar ninguém, sem autorização do Procurador Romano. Todavia Nosso Senhor Jesus foi preso e executado.
- Não poderia ocorrer prisão ou julgamento durante a noite. Porem a prisão e julgamento de Nosso Senhor ocorreu após o por do sol;
- anto a Lei Judia como Romana, o acusado teria o direito de um Defensor ( Advogado ) ou representante, Nosso Senhor não teve ninguém;
- Nosso Senhor Jesus é levado perante a autoridade Romana de Pôncio Pilatos, o Procurador. As acusações feitas contra Ele eram muito diferentes das acusações ouvidas em suas audiências religiosas. Ele foi acusado de:
Jesus Interrogado por Pilatos
Obra do Pintor Domenico Robusti, cerca 1600Click para Fechar![]()
- incitar as pessoas a motim e tumulto;
- proibir as pessoas de pagar seus impostos;
- e a alegação de ser rei dos judeus.
- Pôncio Pilatos após questionar Nosso Senhor Jesus, não encontrou razão para condená-lo a morte e após tomar conhecimento de que Nosso Senhor Jesus era Galileu e de que Herodes se encontrava em Jerusalém. Decidiu então, que o Governante da Galileia Herodes de Antipas, seria o indicado para cuidar desta situação e enviou Nosso Senhor Jesus ao Palácio de Herodes. Porem, Herodes ridiculariza, zomba e acoita Nosso Senhor e para evitar problemas políticos, o envia de volta a Pôncio Pilatos.
- Pôncio Pilatos novamente questiona Nosso Senhor, mas sem sucesso. Então, ele na tentativa de apaziguar os Judeus, manda chicotear Nosso Senhor. O chicote romano foi projetado para remover a carne das costas daquele que estava sendo punido. Pôncio Pilatos em um esforço final para que Nosso Senhor fosse libertado, oferta o prisioneiro Barrabas para ser crucificado no lugar Nosso Senhor Jesus em troca da liberdade. Esforço sem sucesso e a multidão gritava alto pedindo pela libertação de Barrabas. Pôncio Pilatos concede ao povo a demanda e entrega Nosso Senhor a vontade deles, morte por crucificação.
Julgamento
- Após a prisão de Nosso Senhor, os soldados o escoltaram saindo do Jardim de Getsêmani, descendo pelo Vale de Cedron, subindo as escadarias que da acesso até a residência palaciana do Ex-Sumo Sacerdote Anas, o Velho, que era sogro do atual Sumo Sacerdote Jose Caifas. Durante o trajeto Ele caminhou entre os soldados em silencio, pois os soldados temiam colocar as mãos sobre Ele. O Palácio do ex-Sumo Sacerdote que ficava próximo à residência palaciana do atual Sumo Sacerdote José Caifas, onde ele supostamente deveria estar em meditação no Templo para realizar o ritual de purificação dos cordeiros da Pascoa, que seriam sacrificados e comidos pelos peregrinos judeus conforme o ritual judeu. Assim Caifas serviu-se desta oportunidade para depois ter uma negação plausível sobre o julgamento, para não se tornar culpado com os romanos mais tarde, após o julgamento ilegal. No entanto, foi o antigo Sumo Sacerdote de Israel, Anas, o Velho, que iniciou os primeiros procedimentos dessa quebra extraordinária do processo judicial no meio da noite, perto da meia-noite, um ato deliberado e contrario a lei romana. Durante todo o processo não houve nenhuma tentativa de estabelecer a inocência de Nosso Senhor Jesus ou buscar perseguir a absolvição das acusações contra Ele. Dentro do Palácio fortificado do sumo sacerdote Caifas, ficou evidente de que eles reuniram um seleto grupo de chefes: sacerdotes, anciões, escribas e fariseus e estes indivíduos trabalhariam de acordo com os desejos dos sumos sacerdotes reinantes, Caifás e Anas. Todo esse processo “ legal ” montado contra Nosso Senhor tinha somente a intenção de condena-Lo, para que eles pudessem condena-Lo a morte de acordo com a Lei da Torá. Eliminando assim, a ameaça de Nosso Senhor Jesus, contra o governo da Família Sacerdotal reinante.
- O julgamento de Nosso Senhor pode ser dividido em duas etapas, onde ocorre em primeiro plano vem o julgamento Eclesiástico Judeu e depois o julgamento perante a Autoridade Romana.
- Nosso Senhor Jesus chega aprisionado na residência palaciana do Ex-Sumo Sacerdote Anas, que era o sogro do atual Sumo Sacerdote de Israel, Jose Caifas. Diante de Anas, Nosso Senhor sofre severo interrogatório, sendo ate mesmo espancado por um dos guardas devido sua resposta ao velho Sumo Sacerdote.
- Durante o interrogatório de Anas, o Grande Sinédrio foi reunido rapidamente e um mensageiro foi enviado à residência de Anas, o Velho, para que ele enviasse Nosso Senhor Jesus ate a presença dos membros reunidos ( Sinédrio )para o julgamento. Relatos de escritores judeus falam que nunca na historia judaica um julgamento foi tão carregado de testemunhos e emoções conflitantes ( falsas ). Onde o ódio dos lideres judaicos emanava durante toda a assembleia, onde ate mesmo a ameaça de qualquer um dos membros que atentasse contra as decisões predeterminadas de eliminar a ameaça contra o governo do Sumo Sacerdote Caifas e seu conspirante Anas, sabia que estava sendo marcado. É relatado em documentos judaicos, que Nosso Senhor fez brilhantes argumentos em sua defesa, bem como alguns defensores corajosos e considerados intransigentes, permaneceram firmes na verdadeira Lei do Tóra, mesmo sabendo que estavam assinando suas sentenças de mortes. A defesa de Nosso Senhor foi tamanha que ao final da votação Ele foi absolvido; dos setenta e um membros do Sinédrio, quarenta votaram que as acusações fossem rejeitadas, fato que deixaria registrado na historia uma farsa na jurisprudência judaica se Nosso Senhor Jesus recebesse o veredicto de culpado. Segundo o Talmude, ( significa estudo ) que é uma coletânea de livros sagrados dos judeus, um registro das discussões sobre as leis que pertencem à lei, a ética, os costumes e a história do judaísmo, se Nosso Senhor Jesus tivesse sido condenado à morte, teria sido apedrejado até a morte, o que não ocorreu.
- O Sumo Sacerdote Caifas, após ver suas acusações fracassadas e preste a expor sua missão secreta de conspirar contra a vida de Nosso Senhor Jesus, deixa seu trono de Supremo Juiz e vai ate a presença de Nosso Senhor Jesus e o força a testemunhar debaixo de juramento, porque sabia que Ele próprio, Nosso Senhor Jesus o auto incriminaria.
Mateus 26:63
Disse-lhe o sumo sacerdote: “ Por Deus vivo, conjuro-te que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus? ”.
Mateus 26:64 -
respondeu: “Sim. Além disso, eu vos declaro que vereis doravante o Filho do Homem sentar-se à direita do Todo-poderoso, e voltar sobre as nuvens do céu”.
Mateus 26:65 -
A essas palavras, o sumo sacerdote rasgou suas vestes, exclamando: “Que necessidade temos ainda de testemunhas? Acabastes de ouvir a blasfêmia!”.- Foi um momento de grande drama, mas o Sumo Sacerdote Caifás quando clama em alta voz de que não havia necessidade de nenhuma testemunha, em essência, invalidou o julgamento do Grande Sinédrio e de imediato exigiu e ordena que Nosso Senhor fosse julgado perante o Procurador Romano Pôncio Pilatos pela proclamação de que Ele era o Reio dos Judeus, na tentativa de impor sua própria justiça e vontade usando a Lei Romana, onde a punição de morte era provável e mais cruel: Crucificação.