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Santo Cálice

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Agonia no Jardim
Obra de Jose Antonilez, 1665 - Espanha
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O Santo Cálice não é o Santo Graal conforme é afirmado ser. O Graal primeiramente surgiu há quase um século antes do cristianismo, com uma lenda medieval dos Celtas . Já no final do século XII um romance francês - História do Graal, de Chrétien de Troyes, narra o Graal como um objeto misterioso e maravilhoso. Um objeto possuidor de propriedades milagrosas, mas não foi diretamente identificado como o cálice da Última Ceia, nem chamado de "sagrado ou Santo" naquele período.

O Santo Graal e o Santo Cálice são frequentemente usados como sinônimos do objeto de fé (religião) e da lenda (mito), porem é frequentemente confundido como sendo uma só artefato, pois o Santo Graal tem origem literária ambígua, o que gerou a confusão.

Já durante o século XIII ocorre a fusão da lenda e tradição, onde um poeta francês Robert Boron, escreveu que Jose de Arimateia usa o "cálice da ultima ceia" de Nosso Senhor Jesus para colher o sangue de cristo crucificado e depois o levou para Grã-Bretanha, tornando-se um objeto lendário dentro da literatura Arturiano .

Na essência, o Santo Graal é uma cultura popular, uma invenção literária retroativa que conecta o evento real e histórico religioso - Ultima Santa Ceia, a uma narrativa fictícia escrita na Idade Média. Que ainda hoje permanece sendo um objeto elusivo e altamente desejado. A Santa Igreja reconhece o mito do Santo Graal, como um fato medieval sem ligação explicita com Nosso Senhor Jesus.

O Santo Cálice é somente mencionado no Evangelho no contexto da Última Ceia, na qual Nosso Senhor Jesus utilizando o pão e cálice institui o Sacramento de seu Corpo e Sangue. A instituição da Eucaristia, que é registrada nos quatro Evangelhos:

"Tomai todos e bebei, este é o cálice do meu sangue, o sangue da Nova e Eterna Aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados, fazei isto em memória de mim."


Basicamente, duas tradições sobre o Santo Cálice são as mais disputadas como verdadeiras:

Catedral de Valencia – Espanha
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Santo Cálice
Catedral de Valencia - Espanha
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Uma tradição narra que no século VI o peregrino Antônio de Placencia, descreve lugares sagrados de Jerusalém, onde afirma ter visto o “cálice de Ônix que Nosso Senhor Jesus abençoou na Última Ceia” entre outras relíquias expostas na basílica construída por Constantino perto do Gólgota e do Tumulo de Cristo. No ano de 258 d.C., com a perseguição dos cristãos pelo Imperador Romano Valeriano, os governantes exigiam que as relíquias fossem dadas ao Império. Porem, o Papa Sisto II entregou o Santo Cálice a um de seus diáconos - São Lourenço, que depois o passou a um soldado espanhol chamado Proselio, para leva-lo em segurança para Espanha sua terra natal. Existe um inventorio em pergaminho datado de 262 d.C. que lista os tesouros e narra que houve uma perseguição aos cristãos e a igreja dividiu seus tesouros entre seus membros para salvaguardar preciosas relíquias. As características físicas do Santo Cálice são descritas e afirma-se que o vaso foi usado para celebrar a Missa pelos primeiros Papas que sucederam São Pedro.

Já no século VI um manuscrito latino do Vita (Biografia), escrito por Donato, um monge agostiniano que fundou um mosteiro na região de Valência, narra com detalhes circunstanciais da vida de São Lourenço, bem como narra a respeito da transferência do Cálice para a Espanha. No ano 1134 um inventário feito pelo Mosteiro de San Juan em Zaragoza cita claramente o Santo Cálice ao descrever que é o vaso no qual “Cristo Nosso Senhor depositou seu sangue”. Em 1339 o Rei Martin I de Aragon, adquire o Cálice e o manteve em Zaragoza. Após sua morte o Rei Alfonso V de Aragon, leva o Santo Cálice para Valencia, onde permanece ate hoje.

Atualmente, sabe-se que o Santo Cálice é feita de Agata vermelha escura, A parte inferior tem inscrições em árabe. A base, as hastes e as alças são adições posteriores e estudos narram que provavelmente foi produzida na região de Israel ou no Egito entre o século I e II.


Basílica de Santo Isidoro, Leão (Leon) – Espanha.
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Santo Cálice de Dona Urraca
Basilica de São Izidoro, Leão - Espanha
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O Cálice de Dona Urraca é um cálice de ônix, tal como mencionado pela tradição que no século VI o peregrino Antônio de Placencia, que descreve lugares sagrados de Jerusalém, onde afirma ter visto o “cálice de Ônix que Nosso Senhor Jesus abençoou na Última Ceia”. Em 2015 pesquisadores publicaram um livro “Os Reis do Graal”, alegando ter rastreado as origens do Santo Cálice ate as primeiras comunidades cristas de Jerusalém.

Segundo suas pesquisas o cálice foi transportado para o Cairo por viajantes mulçumanos e depois dado a um Emir na costa espanhola, que havia ajudado vitimas da fome no Egito. De lá o cálice passou para o Rei Fernando de Leon (Leão), pai da Infanta Dona Urraca de Zamora, como uma oferta de paz de um governante mulçumano em Al-Andaluz. Com o tempo ele foi ornado com ouro e pedras preciosas no século XI por Dona Urraca e passado a ser identificado com o seu nome. A datação de carbono sugere o ônix feito entre 100 e 200 d.C.


Evento Pascal

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Última Ceia
Obra de Giovanni Pietro Rizzoli, 1520 - Itália
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É necessário destacar que Nosso Senhor Jesus era um Judeu e observava todas as Festas do Senhor, como registrado nos evangelhos: a Pascoa, Pentecoste e Tabernáculo. Os quatro cálices da Pascoa Judaica não são apenas uma tradição ritual, mas uma afirmação do compromisso de Deus com o regaste de Seu Povo, feito a Moises e na Nova Aliança vem o cumprimento pleno em Jesus Cristo.

A Ceia pascal judaica (Seder de Pessach) tem símbolos como: cordeiro pascal, pão Ázimo, as ervas amargas, e o sangue nas portas. Então, celebrando a Ceia Pascal junto aos seus apóstolos, Última Ceia, Nosso Senhor Jesus transformou esses símbolos. Ele próprio, sendo o Cordeiro de Deus, e o pão e o vinho passaram a simbolizar Seu corpo e sangue, estabelecendo a Pascoa Cristã, que celebra sua morte e ressureição.

Assim, na Pascoa Judaica celebrada antes da Última Ceia tem:

Agora, olhando a manifestação da celebração da Ultima Ceia realizada por Nosso Senhor Jesus, fica nítido o proposito deste desígnio para esta celebração, onde:

Consequentemente, Nosso Senhor Jesus deu novo sentido aos símbolos judaicos na Ultima Ceia e os instituiu como elementos centrais da Pascoa Cristã, que celebra a vida nova e a salvação através de Sua morte e ressureição.

Nosso Senhor Jesus na Última Ceia seguiu todo o ritual, reinterpretando o simbolismo representado na Ceia Pascal, de certo modo apontando Seu próprio sacrifício redentor. No evangelho de São Mateus 5, 17, Nosso Senhor Jesus diz que não veio revogar as Leis ou profetas, mas leva-los a perfeição. Então, Ele não pretendia simplesmente participar de uma ocasião comemorativa, mas sim contemplar aos seus apóstolos o proposito novo da Ceia Pascal.

São Mateus 5,17
“Não julgueis que vim abolir a Lei ou os profetas. Não vim para aboli-los, mas sim para levá-los à perfeição”.
É registrado no evangelho de São Lucas que durante a ceia Ele pegou um cálice, deu graças e disse:
São Lucas 22, 14-18
”Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se à mesa, e com ele os apóstolos. Disse-lhes: “Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer”. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus”. Pegando o cálice, deu graças e disse: “Tomai este cálice e distribuí-o entre vós. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus”.
Depois, pegou um pão, deu graças, partiu e distribuiu-o a eles, dizendo:
São Lucas 22, 19-20
“Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim”. E, depois de comer, fez o mesmo com o cálice, dizendo: “Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado em favor de vós...”.

Nestes versículos do evangelho de São Lucas vemos a menção dos dois primeiros cálices, conforme o ritual tradicional da Pascoa Judaica, onde se usa o cálice para simbolizar cada evento.

Portanto, os cálices da pascoa, não são apenas símbolos restritos a uma tradição, mas uma realidade espiritual, que molda nossa fé e revela o plano redentor de Deus. Onde três cálices já foram realizados e o ultimo, a qualquer momento ira ocorrer e certamente irá ocorrer.

Aqui torna necessário apontar uma característica importante quanto ao simbolismo religioso. Ele desenvolve e cria uma identidade e união entre a informação e o objeto observado, podendo ser transmitida nas tradições entre gerações. Às vezes estas informações são apresentadas, mas não vistas ou observadas, mantendo-se ocultas aos olhos leigos. Porem, A Dra. Maria Mafé García, pesquisadora e doutora em história da arte, em um de seus trabalhos apresentou importantes evidenciam, vejamos: