Santo Sudário
Sudário de Turim
Tecido de linho que envolveu o corpo de Jesus após a crucificação
O Sudário de Turim é uma das mais conhecidas relíquias de Nosso Senhor Jesus. É um pedaço de linho medindo aproximadamente 4,4m por 1,1m, com uma imagem de fundo acastanhada pouco nítida de um homem nu com as mãos cruzadas, frente e costa, cuja imagem corresponde às descrições bíblicas. E essa imagem teria sido milagrosamente impressa no tecido.
É reconhecido que o Sudário foi levado para Constantinopla no ano 944 DC vindo da cidade de Edessa, o qual foi exibido juntamente com outras relíquias. Historiadores afirmaram que o Sudário desapareceu durante o Saque de Constantinopla em 1204. Deste então, não existe registros históricos sobre o Sudário atualmente na Catedral de Turim, antes de seu surgimento no século XIV. Porem existe uma teoria de que um cruzado tenha levado a relíquia e chegado ate a França e reapareceu na posse de Geoffrey de Charny em 1349, chegando ate chegar a Casa de Saboia em março de 1453 (Século XV).
Durante o século XVI, o Sudário percorreu toda Europa a pedido dos Sacerdotes da Igreja e membros da realeza de vários países dos arredores e depois permaneceu no Castelo de Chambéry, da Casa de Saboia (nos Alpes franceses).
Já em 1578 o Sudário encontra seu lar moderno e permanente na cidade de Turim, no norte da Itália.
Todavia, não existem registos históricos definitivos relativos ao Santo Sudário atualmente na Catedral de Turim.
O envolvimento do corpo pelo Sudário
A narrativa a seguir não tem o cunho de apresentar a autenticidade do Santo Sudário pelos trabalhos e pesquisas exaustivas dos pesquisadores e cientistas. Mas apresentar a jornada que o Santo Sudário percorreu e sobreviveu durante 20 séculos, mais de 2000 anos, de sua existência sob a guarda e proteção da fé coletiva - Igreja e fieis. Ou melhor dizendo, uma obra milagrosa pelo olhar dos desígnios e benevolência Divina.
A jornada
Nicodemos à esquerda e José de Arimateia à direita
Obra de Karl Heinrich Bloch, entre 1865 e 1879
Conhecemos sobre o Sudário por intermédio dos quatro evangelhos. Os apóstolos São Pedro e São Joao, bem como Maria Madalena, viram a mortalha com seus próprios olhos no dia da Ressureição.
São João 20, 6-7Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão. Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.”
Então podemos concluir que a Igreja Primitiva teria preservado o Sudário desde o inicio por razões obvias, pois o Sinédrio estava tentando eliminar as evidências da Ressureição e o teria destruído caso obtivesse a prova incontestável. .
Mt 28:11-12 “Enquanto elas voltavam, alguns homens da guarda já estavam na cidade para anunciar o acontecimento aos príncipes dos sacerdotes. Reuniram-se estes em conselho com os anciãos. Deram aos soldados uma importante soma de dinheiro, ordenando-lhes:”
Pequeno pano usado por Jesus para enxugar o rosto. Depois enviado por Ele ao Rei Abgar V para cura-lo.
A tradição popular diz que Jose de Arimateia foi o guardião do Santo Sudário no principio, pois ele próprio havia providenciado e organizado o sepultamento de Nosso Senhor Jesus, devido sua grande influencia no governo romano. Tempos depois foi transferido para a cidade de Edessa, onde o filho do Rei Abgar de Edessa, muito dedicado ao Cristianismo como seu Pai, teria recebido, zelado e escondido o Sudário secretamentte no Portão da cidade de Edessa, para evitar sua destruição devido à perseguição ao cristianismo e ali ficou esquecida por vários séculos.
Portao de entrada da cidade de Edessa
No século VI, o sudário foi redescoberto após uma destruição total da cidade de Edessa por uma catastrófica inundação. Então, o Santo Sudário é identificado como sendo o ícone de Abgar do Século I. Então, o longo pano mortuário, que é o Santo Sudário, foi dobrado que modo que apenas a imagem da Face Sagrada de Nosso Senhor Jesus ficasse visível, e foi colocada em uma moldura. Após seu aparecimento vários ícones surgiram parecendo a face representada no Sudário.
A cidade de Edessa entra em conflito com os Persas e a cidade é preservada da destruição e esse acontecimento foi atribuído ao Santo Sudário. Depois a cidade de Edessa fica sob o domínio dos mulçumanos e os cristãos que lá viviam veneravam livremente a Relíquia. Porem cristãos radicais no oriente considerava a veneração de imagens como idolatria e passaram a destruir os ícones sagrados. Todavia, o Santo Sudário durante este período permaneceu intacto, mesmo com todas as adversidades, disputas e desacordos sobre o assunto.
Face de Jesus em um dos Lados da moeda
Durante o período do Século X e XI, o exercito bizantino (Império Romano) invadiu a cidade de Edessa e o negociou a troca do Santo Sudário por prisioneiros mulçumanos e um bispo é enviado para recuperar e trazer o Santo Sudário ate Constantinopla. Mas, a missão é um fracasso devido a uma grande revolta da população de Edessa que não queria que a relíquia fosse retirada da cidade. Todavia, o Santo Sudário foi levado para Constantinopla no ano 944 DC e foi venerado por todos na cidade em uma imensa procissão. Bem como o Imperador Bizantino mandou cunhar uma moeda de ouro com a imagem da Face de Nosso Senhor conforme ela aparecia no Santo Sudário. Anos mais tarde os guardiões do Santo Sudário removeram a Santa Relíquia da moldura e observaram que se tratava da mortalha que envolvia o corpo no tumulo e registros imperiais bizantinos daquele período confirmam este fato.
Em 1146 os mulçumanos em conflito com o Império Bizantino, destrói completamente a cidade Edessa, de onde o Santo Sudário havia sido mantido seguro por mais de 900 anos. Em 1204 durante a quarta Cruzada, o francês Roberto de Clari, em uma de suas cartas menciona ter visto em exposição publica em uma Igreja em Constantinopla o Santo Sudário, mas logo após, cruzados saquearam Constantinopla e roubaram o Santo Sudário. Durante o período das Cruzadas uma ordem militar e religiosa foi criada, os Cavaleiros Templários. Supõem que os Templários obtiveram a posse do Santo Sudário durante o conflito dos ataques a cidade de Constantinopla. E o transportaram para sua fortaleza em Acre na Síria ate a destruição total da cidade em 1291.
Último cavaleiro templario da Ordem Templaria
Em 1306 todo tesouro templário em posse do Grão-mestre Jacques de Molay é transferido para França e logo em seguida ocorre a uma completa aniquilação da Ordem Templária pelo Rei da França. Todavia o Santo Sudário é contrabandeado para fora de Paris para evitar que fosse roubado ou destruído. Período em que o Santo Sudário e repassado para mãos privadas e acreditasse que tenha sido levado e escondido pela família do Cavaleiro Templário Geoffroi de Charney e logo em seguida ocorre à aniquilação da Ordem Templária. Os cavaleiros templários De Molay e Geoffroi de Charney são falsamente acusados de heresia e bruxaria e, posteriormente, queimados na fogueira. O filho de Charney que também era um cavaleiro templário constrói a Igreja Colegiada de Lirey para abrigar o Santo Sudário.
Em 1357 a viúva do Templário Jeane Vergy, expõe publicamente o Santo Sudário que atrai uma multidão e é repreendida pelo Bispo local, que dizia se tratar de uma falsa relíquia e proíbe novas exposições.
Em 1400 a neta do Templário, Margaret Charney herda o Santo Sudário e o coloca no castelo de La Roche para proteger o Santo Sudário de saqueadores que devastavam o interior da Franca durante a Guerra dos Cem anos. Entre 1443 a 1447 o clero da Igreja de Lirey processa Margaret, alegando que o Santo Sudário pertencia a Igreja de Lirey. Margaret mantem a posse do Santo Sudário, mas ela não possuia herdeiros. Então, viajava pela Europa mostrando o Santo Sudário publicamente e ao mesmo tempo procurava por uma família que poderia se tornar a nova guardiã do Santo Sudário. Em 1453, Margaret visita o norte da Itália e conhece o Duque da Casa Real de Saboia e entrega o Santo Sudário aos seus cuidados.
Em 1457 o Clero da Igreja Colegiada de Lirey excomunga Margaret por ter entregado o Santo Sudário a família de Saboia e em 1460 a Casa Real de Saboia negocia uma indenização a Igreja Colegiada por sua perda histórica.
Em 1578 o Santo Sudário, vai para Turim e lá faz sua casa permanente.
Durante a segunda guerra mundial, 1939-45 é transferido para uma Abadia ao sul de Turim para proteger a reliquia de possivel dano ou destruição. Em 1694
uma Capela Real é construída dentro da Catedral de Turim para abrigar a relíquia, onde os peregrinos podem
visitá-la até hoje.
Em 1972 e 1997, ocorre tentativas criminosas de incendio, mas sem sucesso.